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Ministério infantil em igreja pequena: pare de copiar estruturas que não foram feitas para você

Sep 14
6 min read

Um ministério infantil saudável não é definido pelo número de salas, pelo tamanho da equipe ou pela quantidade de crianças. Igrejas pequenas possuem limitações reais, mas também oportunidades que desaparecem quando tentamos reproduzir modelos pensados para outra realidade.

Você abre o Instagram e encontra um ministério infantil com salas divididas por faixa etária, recepção informatizada, dezenas de voluntários uniformizados, cenários incríveis e uma programação que parece ter sido produzida por uma equipe profissional. Então chega o domingo. Você olha para sua igreja e encontra oito crianças, duas professoras, uma sala e aquele ventilador que só funciona depois de receber uma pequena ajuda do Espírito — e talvez um empurrão na hélice.

É difícil não comparar.

Não há nada errado em aprender com igrejas maiores. Pelo contrário, boas experiências podem nos ensinar muito sobre segurança, organização, ensino, comunicação com as famílias e preparação de voluntários. O problema começa quando deixamos de aprender princípios e tentamos reproduzir estruturas. Uma organização criada para atender cem crianças dificilmente funcionará da mesma maneira em uma igreja que recebe dez.

Quando fazemos essa comparação, corremos o risco de interpretar como fracasso aquilo que é apenas uma realidade diferente. Talvez o ministério infantil da sua igreja não esteja indo mal. Talvez você esteja tentando avaliá-lo com uma régua que nunca foi feita para ele.


Pequeno não é sinônimo de incompleto

Quando pensamos em melhorar um ministério, quase sempre imaginamos acrescentar alguma coisa: mais crianças, mais professores, mais salas, mais recursos, mais equipamentos. Crescer é bom. Alcançar novas famílias também. Uma igreja não precisa romantizar suas limitações nem usar o tamanho como desculpa para fazer as coisas de qualquer maneira.

Mas existe uma diferença importante entre desejar crescer e acreditar que somente seremos bons quando crescermos.

Uma igreja com dez crianças pode proporcionar experiências que uma igreja com centenas delas precisa de uma enorme estrutura para conseguir oferecer. A professora pode conhecer todas pelo nome, saber quem são seus pais, perceber rapidamente uma ausência e notar quando uma criança normalmente falante chega quieta. É possível conhecer histórias, acompanhar mudanças e estabelecer vínculos que ultrapassam o horário da aula.

Isso não acontece automaticamente só porque a igreja é pequena. Proximidade física não é necessariamente relacionamento. Mas existe ali uma oportunidade extraordinária.

Talvez, portanto, a pergunta precise mudar. Em vez de perguntar constantemente “Como podemos fazer o que aquela igreja faz?”, experimente perguntar: “O que podemos fazer muito bem justamente porque somos pequenos?”

Essa mudança parece simples, mas altera toda a maneira de pensar o ministério.


O currículo precisa servir às crianças

Imagine a cena. O currículo orienta: “Agora divida as crianças em quatro grupos”.

Você olha para a sala.

Há cinco crianças.

Nesse momento, talvez seja melhor adaptar a atividade do que começar a procurar três crianças no estacionamento para completar as equipes.

Esse exemplo bem-humorado revela um problema bastante comum. Muitos materiais para ministério infantil foram desenvolvidos imaginando determinado número de crianças, voluntários, ambientes e recursos. Quando uma igreja pequena tenta executar tudo exatamente como está no manual, a experiência pode se tornar frustrante tanto para quem ensina quanto para quem participa.

Currículo é ferramenta. Não é camisa de força.

Se uma atividade foi planejada para vinte crianças e você tem seis, adapte. Se o material pressupõe várias salas e você possui uma, reorganize. Se naquele domingo apareceram quatro crianças em vez das doze esperadas, não significa que a aula fracassou antes de começar.

O objetivo continua sendo ensinar as Escrituras de maneira fiel, compreensível e apropriada ao desenvolvimento das crianças. A estrutura existe para servir a esse propósito.

Essa liberdade também ajuda a equipe a deixar de perseguir uma excelência artificial. Excelência não é reproduzir perfeitamente aquilo que outra igreja faz. Excelência é fazer muito bem aquilo que Deus colocou em nossas mãos, dentro da realidade que possuímos.


Nem toda idade precisa de uma sala

A divisão por faixa etária trouxe muitos benefícios ao ministério infantil. Crianças em diferentes fases do desenvolvimento aprendem de maneiras diferentes, possuem capacidades distintas de compreensão e precisam de aplicações adequadas à sua maturidade. Sempre que houver estrutura e número suficiente de crianças, separar determinados grupos pode ser uma ótima estratégia.

Mas é importante lembrar justamente isso: é uma estratégia.

Uma igreja pequena não precisa sentir que seu ministério é inferior porque crianças de diferentes idades participam juntas de alguns momentos. Na verdade, essa convivência pode produzir experiências muito interessantes. Crianças maiores podem ajudar as menores, os mais novos observam os mais velhos e todos aprendem que igreja não é formada apenas por pessoas exatamente da nossa idade.

O segredo está na adaptação. Uma história bíblica pode ser apresentada a todos, enquanto perguntas, atividades e aplicações recebem níveis diferentes de profundidade. Em determinados momentos, pequenos grupos podem ser formados. Em outros, todos podem participar juntos.

Em vez de tentar criar seis ministérios pequenos dentro de um ministério que já é pequeno, talvez seja melhor construir uma experiência integrada e bem planejada.


Transforme proximidade em discipulado

Aqui talvez esteja uma das maiores oportunidades das igrejas menores.

Uma criança não precisa apenas de uma boa aula sobre a Bíblia. Ela precisa conviver com pessoas que demonstrem, na prática, como é seguir Jesus. Precisa encontrar adultos cristãos que saibam seu nome, conversem com ela, percebam suas ausências e se interessem pelo que está acontecendo em sua vida.

Marcos registra o momento em que algumas pessoas levaram crianças até Jesus e os discípulos tentaram impedi-las. Jesus reagiu: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam” (Marcos 10:14, NVI). O texto evidentemente não está apresentando um modelo de organização para o departamento infantil, mas revela de maneira muito clara o valor dado por Jesus àquelas crianças.

Em uma comunidade menor, essa valorização pode ganhar formas muito concretas. A professora percebe que uma criança faltou e entra em contato com a família. O pastor conhece as crianças pelo nome. Um adolescente ajuda os menores durante uma atividade. Pessoas mais velhas da igreja participam de momentos especiais. Pais e professores conversam não apenas quando surge um problema, mas durante o processo de crescimento.

A criança começa, assim, a compreender algo importante: ela não pertence apenas ao ministério infantil. Ela pertence à igreja.

E talvez essa seja uma das contribuições mais importantes que uma comunidade pequena pode oferecer.


Cuidado com a régua que você está usando

É natural acompanhar números. Quantas crianças estão frequentando? Quantas famílias novas chegaram? Quantos voluntários temos? Estamos crescendo ou diminuindo? Essas informações são importantes porque números representam pessoas e ajudam no planejamento.

O problema é quando números se tornam a única definição de saúde.

Talvez precisemos acrescentar outras perguntas: nossas crianças estão conhecendo melhor as Escrituras? Os professores sabem quem elas são? Existe relacionamento com suas famílias? Quando uma criança falta durante algumas semanas, alguém percebe? Elas estão construindo vínculos com cristãos de outras idades? Sentem que fazem parte da igreja?

Uma comunidade com oito crianças pode responder muito bem a essas perguntas. Outra com oitenta pode descobrir que precisa melhorar bastante. O tamanho, sozinho, não conta toda a história.

Por isso, não precisamos escolher entre crescimento e profundidade. Podemos desejar alcançar mais crianças enquanto cuidamos muito bem daquelas que já estão conosco.


Comece com a igreja que você tem

Talvez a maior mudança necessária no ministério infantil de algumas igrejas pequenas não seja comprar novos equipamentos, reformar salas ou encontrar um currículo diferente. Pode ser simplesmente abandonar a sensação permanente de que aquilo que possuem nunca é suficiente.

Olhe novamente para sua realidade. Quantas crianças estão realmente ali? Quem são elas? Quantos voluntários você possui? Quais são os dons dessas pessoas? Que espaços estão disponíveis? O que pode ser simplificado? O que precisa melhorar? E, principalmente, quais oportunidades existem justamente porque vocês são uma comunidade menor?

Aprenda com igrejas grandes. Aproveite boas ideias. Invista na segurança. Prepare melhor os professores. Melhore os ambientes quando for possível. Sonhe com novas famílias chegando e ore para que mais crianças sejam alcançadas.

Só não transforme o ministério de outra igreja no padrão pelo qual você julga o seu.

Talvez você não tenha cinco salas, trinta voluntários ou cem crianças. Talvez tenha uma sala, dois professores e oito crianças.

Mas vocês conhecem seus nomes, suas famílias e suas histórias. Podem perceber suas ausências, adaptar o ensino, caminhar perto delas e ajudá-las a compreender que fazem parte de uma comunidade que as ama e deseja vê-las crescer seguindo Jesus.

Seu ministério infantil não precisa parecer grande para ser saudável. Precisa ser fiel, intencional e profundamente comprometido com as crianças que Deus já colocou diante de vocês.



João Nogueira é casado com a irmã Leila há mais de 25 anos e pai do Yan. É pastor da Primeira Igreja de Goitacazes desde 2007. Fundador do Instituto e da Editora Frutos.

Visite seu instagram: @prjoaonogueira

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